Luto Materno: Entre a Dor e o Propósito
- Tatiana Perazzolo

- 2 de fev. de 2025
- 2 min de leitura
Dizem que perder um filho é como ser amputada sem anestesia. A dor é surreal, a ausência grita, e o mundo nunca mais é o mesmo. O tempo não cura, apenas ensina a carregar o peso da ausência. Mas, em meio à dor, algo muda dentro de nós. Os valores se transformam, as prioridades se reorganizam, e a vida ganha um novo significado — um que nunca escolhemos, mas que, de alguma forma, precisa ser vivido.
1. A Dor da Perda: O Que Ninguém Conta
O luto materno não é apenas uma tristeza profunda. É uma ruptura. A vida se divide entre o antes e o depois. De repente, tudo que antes fazia sentido parece pequeno, distante, irrelevante. Há dias em que a dor cega, em que respirar parece um esforço imenso.
O mundo segue seu ritmo, mas para nós, mães enlutadas, o tempo se comporta de maneira diferente. Há quem espere que superemos, que sigamos em frente, como se a perda de um filho pudesse ser “resolvida” com o passar dos dias. Mas luto não é um problema a ser resolvido, é um amor que precisa encontrar um novo jeito de existir.
E, em meio a tudo isso, surge o medo: medo do esquecimento, medo de nunca mais sentir alegria, medo de que a dor seja maior do que a capacidade de seguir. Mas, surpreendentemente, algo também muda nesse processo.
2. O Medo que Vai Embora e a Urgência de Viver
A perda de um filho redefine nossa relação com a vida e a morte. Não que passemos a desejá-la, mas ela deixa de ser assustadora. O que poderia ser pior do que já vivemos?
Ao mesmo tempo, nasce uma urgência de viver. Não apenas por nós, mas por eles — por aqueles que não puderam ficar. Passamos a olhar para o tempo com mais respeito, a questionar o que realmente vale a pena, a escolher melhor onde colocamos nossa energia. Pequenos problemas deixam de nos afetar, e grandes propósitos passam a nos chamar.
3. A Transformação pelo Propósito
A dor do luto não some, mas se transforma. Com o tempo, ela pode se tornar um motor para algo maior. É como se a ausência deixasse um espaço que precisa ser preenchido com significado. Algumas mães encontram sentido ajudando outras famílias enlutadas. Outras transformam sua dor em arte, em palavras, em ação.
O propósito começa a bater à porta, insistente, até ser acolhido. Quando entendemos que essa dor pode se tornar parte da nossa missão, algo dentro de nós muda. O luto nunca desaparece, mas ele pode, aos poucos, se tornar um caminho de amor e transformação.
Conclusão:
Não há um manual para viver o luto. Cada jornada é única, e cada mãe encontra seu próprio jeito de carregar a saudade. Mas uma coisa é certa: a dor nos muda. E, se permitirmos, essa mudança pode dar origem a algo maior.
Se você pudesse ressignificar sua dor, o que faria com ela?




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